quinta-feira, 26 de março de 2009

ASSIM NASCEM OS GRANDES MESTRES - PARTE I


Assim Nascem Os Grandes Mestres - Parte I




Em 1982 eu vi nascer uma estrela do xadrez sul americano: Julio Granda Zuniga. Inclusive uma grata recordação para sempre: joguei uma partida relâmpago contra ele que contava com 13 anos e já era campeão peruano, porém, embora todos soubessem que ele seria um Grande Mestre no Futuro naquele momento não tinha o título ainda. Eu estava acompanhando como descreverei mais adiante a rodada do dia na ante-sala do Torneio e o garoto Zuniga, após jogar sua partida, apareceu cercado de dois acompanhantes já adultos que ou eram irmãos ou seguranças, porém com certeza aquele tipo físico e facial típico dos peruanos de origem mestiça indio/colono. Joguei com empenho, a oportunidade era única. Ele de brancas e eu de negras, naquela época eu já jogava bastante rápido o ping de 5 minutos de modos que a medida que a partida ia andando, ele ia sempre ficando melhor na posição e criando lances de ataque todo tempo, bem no seu estilo e eu para compensar, jogando o mais sólido e rápido possível, até que caiu a seta dele. Fiquei mais impressionado foi com a reação dele: bateu forte na mesa com a mão cerrada falando num dialeto difícil de entender, lógico estava xingando. Achei que iria pedir para jogar outra, porém, estava com tanta raiva que foi seguro pelos acompanhantes que pareciam querer demove-lo de jogar e sair dali e assim foi. Não tive outra chance de jogar com ele, porém, ele não deve se lembrar de mim, mas eu lembro dele, lógico... Vejamos como se passou o acontecimento: no final de 1981, dezembro para ser exato, algo que não se vê mais hoje em dia, surgiu um anúncio de meia página no jornal o Globo que dizia o seguinte: "UMA ABERTURA EM GRANDE ESTILO - Torneio Internacional Peão de Ouro" - "Dois Campeões Mundiais, um Mestre Internacional de apenas 14 anos, campeões de 11 países e a Seleção de Ouro - formada por cinco campeões brasileiros de até 17 anos - essa turma de jovens craques do xadrez disputará, de 1 a 20 de janeiro de 1982, no Rio Othon, o Torneio Internacional Peão de Ouro. A equipe brasileira está em Vassouras (RJ), sendo cuidadosamente preparada para este torneio e várias outras competições internacionais programadas para 1982. A exemplo do que aconteceu neste ano, com os "Matches Nacionais da Amizade", a atuação conjunta da IBM do Brasil e Fundação Roberto Marinho vai incrementar a temporada de xadrez." - assim colocado e no meio no anuncio uma foto do trofeu onde se lia gravado: The Gold Pawn of Brasil, ao lado esquerdo o logotipo da IBM do Brasil Ltda e do lado direito o logotipo da Fundação Roberto Marinho. Bom, todos ficamos sabendo e logicamente interessados no acontecimento, porém muito mais surpresas viriam com o tempo. Compareci a primeira rodada e a muitas outras ou quase todas, sendo que havia o detalhe: Moro a 90 quilômetros do local do jogo, porém naquela época tinha que estar no Rio a trabalho mesmo e assim foi. O Hotel Rio Othon é junto ao Copacabana Palace, sabia que o local deveria ser confortável e bem ajeitado, porém qual não foi a minha surpresa ao constatar a organização impecável do evento: a) Uma sala para quem quisesse acompanhar com camêras colocadas diretamente acima da cabeça e tabuleiros em cada partida dos 8 tabuleiros com 16 participantes! b) Um boletim que saía do forno como padaria: minutos depois de cada rodada e com comentários! Isso é impensável nos dias de hoje, em termos de Brasil, porém, acho que até para aquela época já era impressionante. Pois bem, quem eram os participantes e os comentaristas? Para não deixar de lembrar, possuo todos os boletins e todas as partidas comigo aqui, devidamente já registradas em formato pgn e base de dados no chessbase. Um detalhe ainda me vem a lembrança: nosso companheiro Renan Levy lá estava também e talvez possa colaborar com mais informações. Faziam os comentários os seguintes jogadores: Rubens Filguth (MI), Herman Claudius Van Riemsdijk (MI), Luiz Loureiro (MF), Darcy Gustavo Lima (hoje GMI naquela época, se não me engano tinha já norma de MI). Para o jornal o Globo comentava o duas vezes campeão brasileiro José Thiago Mangini. Os participantes: Os dois campeões mundiais ao qual se referia o anúncio eram Ian Wells (Inglaterra) que conseguiria terminar o torneio e iria sofrer triste acidente na praia ao final do evento, tendo ficado internado no hospital alguns dias e falecido para consternação da gente, isso dias depois de findo o Torneio, detalhe: não sei o quanto isso possa ter influenciado a promessa que constava no anúncio: "várias outras competições internacionais, programadas para 1982" o outro era provavelmente o jogador dos Emirados Árabes Saeed Ahmed Saeed, um garoto que já era então Mestre Internacional. Outros destaques: - o jovem Julio Granda Zuniga, considerado um gênio, uma vez que nunca tinha estudado xadrez e jogava as aberturas de modo criativo, nada que constasse em livros, os quais ele não tinha. - Maxim Dlugy era uma outra revelação muito forte vindo dos Estados Unidos - Karl Thorsteins vindo da Islandia, país com tradição no xadrez haviam patrocinado o match de Spassky x Fischer em 1972 - Horst Lutz da Alemanha Ocidental muito forte jogador depois MI - Srdjan Zakic da Iugoslávia - Alex Kuznevoc do Canadá - Abraham Bettsak do Panamá (este seria uma surpresa inversa) - Thomas Darcyl da Argentina. Os Brasileiros, lembro-me que pelo menos dois se tornaram Mestres Internacionais: Sando Heleno Trindade de Brasília e Ivan de Souza, naquela época não eram MIs, Aron Correa, tenho que verificar se tem o título de MI, Carlos Paterson, Milton Braitt e Gueber Carvalho fechavam a "Equipe de Ouro do Brasil" que havia treinado dias em Vassouras para o Torneio. Todos estes eram "apenas garotos" porém, estamos iniciando a narrativa de como estes "garotos" se enfrentaram no mais forte Torneio já realizado para a idade deles, como foram as partidas, como tudo se passou e qual foi o destino deles, já passados 22 anos daquele histórico evento e quase esquecido nos dias de hoje..."



FATORES QUE DETERMINAM O CARATER DE UMA POSIÇÃO


Alguns dos fatôres que determinam o caráter da posição são permanentes, outros, temporários.Um fator permanente de importância é o da qualidade e posição dos peões, pois êstes não podem, em contraste com as peças , serem transferidos de uma ala do tabuleiro para outra; posições de peões , como regra , alteram-se gradativamente, enquanto que as peças na maioria dos casos podem mudar de colocação sem dificuldades.Como consequencia, temos a aparente contradição de que os peões, a despeito de seu valor relativamente pequeno são os que determinam , em grande proporção, o caráter de uma posição dada.Outros valores permanentes são superioridade material , e em muitos casos, as posições dos reis.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O CARÁTER DA POSIÇÃO E A ESCOLHA DO PLANO


A escolha do plano depende, em qualquer caso , da posição concreta no tabuleiro, deve, portanto, corresponder a esta posição.Julgar uma posisão corretamente e reconhecer suas peculiaridades é um pré-requisito ao encontro de um plano estratégico aceitável.Devemos, portanto, indagar quais os fatores que determinam o caráter de uma posição, e qual o plano estatégico a ser daí deduzido.Naturalmente , a resposta não pode ser dada de forma simples , ela corresponde a questão básica , concernente a totalidade da teoria relacionada a estratégia do jogo, materia muito vasta.Podemos , entretanto , abreviadamente indicar que o caráter de uma posição é determinado pelos seguintes fatores:

1.Relação material, isto é, igualdade material ou superioridade material de um dos lados.

2.O poder de cada peça.

3.A qualidade de cada peão.

4.A posição dos peões, isto é, sua estrutura.

5.A posição dos reis.

6.Cooperação entre peças e peões.


Existem dois tipos de fatores que determinam o caráter da posição: permanentes ou temporários.

Amanhã falaremos sobre esta ideia mui interessante

sexta-feira, 20 de março de 2009

O QUE ACONTECEU NA PARTIDA ABAIXO?

Uma vez , por volta de 1970, diversos mestres brasileiros, incluindo também um Mestre Internacional analisavam a partida jogada pelo brasileiro Henrique Mecking (de negras) contra Lev Polugaevsky(brancas), eles estavam curiosos sobre a situação criada na partida que dificilmente terminaria em empate.Foi então que um "peru" resolveu externar também o seu ponto de vista.Como se tratava de um aficionado de TERCEIRA categoria , essa interferencia foi considerada um verdadeira afronta e imperdoável sacrilégio, razão por que foi prontamente rejeitada.Não satisfeito em ser posto de lado, o "peru" insistiu em meter o bedelho.Com o intuito de afastar de vez o intrometido os experts resolveram provar o erro da sugestão. Pouco a pouco foram vendo que a proposta do "peru" não era assim tão simples de refutar e depois de muito esforço acabaram confessando que ele estava certo !! No diagrama a abaixo, a posição crítica...Neste momento o gm brasileiro continuou de forma automática com 38....Tf5? não percebendo que depois de 38....d5!! as brancas ficariam em dificuldades insuperáveis pou causa da dupla ameaça 39...Bxa3 e 39...Txg5+ ganhando a dama branca.
E o mais curioso desta historia toda é que esta partida foi divulgada no mundo todo, sem que tenha sido mencionado o lance 38....d5

(260) Polugaevsky,L - Mecking,H [A17]
Palma de Mallorca Interzonal Palma de Mallorca (1), 09.11.1970


1.c4 Cf6 2.Cc3 e6 3.Cf3 b6 4.e4 Ab7 5.d3 d6 6.g3 Ae7 7.Ag2 0-0 8.0-0 c5 9.Te1 Cc6 10.d4 cxd4 11.Cxd4 Cxd4 12.Dxd4 Tb8 13.b3 Dc7 14.Ab2 Tfd8 15.Tad1 Ac6 16.De3 a6 17.De2 Af8 18.a4 Cd7 19.h4 Db7 20.Af1 Cc5 21.Dc2 Cd7 22.Td2 Cf6 23.Dd3 Ta8 24.Ag2 Cd7 25.b4 Dc7 26.f4 a5 27.b5 Ab7 28.Aa3 Tac8 29.Af1 Cf6 30.Ted1 Td7 31.De3 Tcd8 32.Ae2 h6 33.g4 Ce8 34.g5 g6 35.f5 exf5 36.exf5 Te7 37.Df4 Te5 38.f6 Diagrama





38...Tf5 [ 38...d5! 39.Cxd5 Axd5 40.Dh2 Axa3] 39.Dg3 h5 40.Cd5 Axd5 41.Txd5 Txd5 42.Txd5 Dc8 43.Td2 Cc7 44.Af1 Ce6 45.Df3 Cc5 46.Ah3 Dc7 47.Dc6 Db8 48.Axc5 dxc5 49.Txd8 Dxd8 50.Ad7 Db8 51.De4 Dd6 52.Ac6 Dd1+ 1/2-1/2

quarta-feira, 18 de março de 2009

O PLANO DE JOGO


O Plano de jogo a um dado momento da partida é chamado de plano estratégico; A maneira como é estabelecido, o conjunto de princípios que seguimos em sua determinação, conhece-se como estratégia.Estes têrmos, e outros tais como alvo estratégico e tática , têm em xadrez o mesmo significado que o utilizado no campo militar , no político, etc.

Deve-se ter em mente que o alvo estratégico em qualquer partida, era primitivamente a imposição de xeque-mate ao Rei adversário; e tal compreensão superficial da estratégia prevaleceu nos primórdios do xadrez moderno.Atualmente , entretatno, aperfeiçoou-se a técnica e as ideias tornaram-se mais profundas.Nas partidas de bons jogadores , nem mesmo o simples ganho de um peão debilitado se nos apresenta frequentemente , como o alvo estratégico ; é mais comum que acirrada luta se efetue pela obtenção de pequena vantagem posicional - tais como o contrôle de um coluna aberta , o enfraquecimento de um peão adversário , ou a criação de um peão passado.

Não é necessário acrescentar que os melhores planos dão em nada se não são conduzidos adequadamente; isto aplica-se ao xadrez como a tudo o mais. A coleção de medidas de métodos para execução do plano estratégico próprio ou inutilização do correspondente plano inimigo, chama-se tática.A este campo pertencem manobras , combinações e sacrifícios, assim como ataque duplo, pregadura, xeque-descoberto, ciladas, etc.Lidar pormenorizadamente com estes conceitos não é , entretanto algo que possa ser feito com rapidez , só com estudo contínuo das partidas dos mestres e das próprios se pode obte-lo.

terça-feira, 17 de março de 2009

ESTRATEGIA E TATICA

Opinião largamente difundida diz que a diferença entre o enxadrista categorizado e o principiante se radica na maior amplitude com que o primeiro pode calcular; e a questaão de saber-se quantos lances adiante um Grande Mestre prevê, torna-se a pedra de toque em tal argumento.A habilidade de calcular corretamente é, sem dúvida, necessária a um enxadrista de categoria, mas não é a única, e certamente não é a diferença mais importante entre um mestre e um jogador comum.Há muitos enxadristas que possuem excelente domínio na arte de combinações , mas que nunca alcançarão a força do mestre:falta-lhes a capacidade de conduzir a partida como um todo, baseados em um plano adequado préviamente estabelecido.O cálculo de variantes particulares só é possível e necessário, em certas posições claramente definidas ; na maior parte dos casos o próprio plano geral encarrega-se de indicar-nos o lance.