quarta-feira, 15 de abril de 2009

Paul Morphy parte II



História Do Xadrez Moderno
Paul Morphy 2ª Parte


por Pedro Alcântara


Os europeus são congenitamente céticos quando ouvem dizer que um americano se destacou num terreno cultural. Para um inglês, acreditar que um jogador de xadrez americano pudesse derrotar seus mestres era o mesmo que admitir a possibilidade de um escritor americano produzir uma obra-prima literária. Quando chegou aos clubes londrinos a notícia da vitória de Morphy, o consenso geral foi que os adversários do jovem provavelmente estavam muito abaixo do padrão europeu de jogadores de torneio. Lowenthal, depois de regressar de sua visita aos Estados Unidos, escrevera no jornal The Era sobre o progresso do xadrez americano, mas os jogadores ingleses não levaram muito a sério o artigo. É interessante notar o que Lowenthal tinha a dizer: "O progresso feito pelo xadrez na América é quase, se não tanto, igual ao que se conseguiu na Inglaterra. Isso é mais do que se poderia esperar; pois é de supor-se que, num país relativamente novo, os homens sejam mais atarefados e mais inquietos do que numa nação velha e parece bem contra as probabilidades que na América um jogo exigindo sereno pensamento e estudo se tenha desenvolvido na mesma escala que divertimentos mais animados. Que isso acontece, porém, prova o fato de, em quase toda grande cidade de lá, existir um clube de xadrez e muitos desses clubes estarem em comunicação e jogarem partidas por correspondência. Outra prova é encontrada no número de jornais que dedicam regularmente uma parte de seu espaço ao xadrez e dão, como os jornais ingleses, partidas bem jogadas, com anotações, problemas e informações sobre xadrez... Devemos prestar certa atenção ao xadrez na América se pretendemos conservar verdes nossos louros.Os homens do Novo Mundo não estão habituados a ficar para trás quando se empenham em qualquer empreendimento e, se não tomarmos cuidado, é bem possível que o próximo campeão de xadrez venha do far west. Que isso ia em breve acontecer, efetivamente, era coisa que nem mesmo Lowenthal previa. Foi o primeiro a desafiar Morphy para um encontro. Jogaram doze partidas, das quais Morphy ganhou nove e perdeu três. Além da inquestionável superioridade demonstrada pelo resultado que obteve, e que Lowenthal reconheceu sem hesitação, Morphy pareceu levar uma estranha vantagem psicológica sobre seu adversário. Como disse um dos comentaristas: "Esse rapas de vinte e um anos, cinco pés e quatro polegadas de altura, de figura esguia e rosto como o de uma jovem adolescente, positivamente apavora os guerreiros do xadrez de nosso país - Narciso desafiando Titãs". The Era prestou a Morphy o seguinte tributo: na manchete: " FINAL DA GRANDE COMPETIÇÃO DE XADREZ" O encontro entre o Sr. Morphy e Herr Lowenthal chegou ao fim sábado, com o americano conquistando a vitória. Embora fosse universalmente observado que Herr Lowenthal jogou muito aquém de sua força habitual, deve-se admitir, ao mesmo tempo, que o jogo do Sr. Morphy qualifica aquele cavalheiro como um dos melhores jogadores do mundo. Teremos prazer em vê-lo enfrentar outros grandes jogadores europeus, a fim de que possa ficar provado quem é mais forte no jogo, o Velho ou o Novo Mundo. Acreditamos que o Sr. Morphy está disposto a desafiar todos os que se apresentarem. Há algo de extraordinariamente romântico e cavalheiresco neste jovem que vem à Europa e lança a luva a todos os nossos veteranos. Ele é sem dúvida um admirável Crichton do xadrez e, como o consumado escocês, ele é tão cortês e generoso quanto bravo e competente. Morphy sentia-se, naturalmente, muito ansioso por enfrentar Staunton num match. O último, porém, continuava tão cioso de sua reputação quanto sempre e, embora não recusasse abertamente jogar, sempre encontrava alguma razão para retardar a data do encontro. Staunton jogou com Lowenthal num forte torneio em Birminghan, apenas uma semana depois do término do match entre Morphy e Lowenthal. Este venceu o torneio, derrotando Staunton em partidas individuais. Como ele já havia reconhecido francamente Morphy como um jogador melhor, mesmo aqueles em cuja opinião Staunton era talvez o único homem adequado para enfrentar o americano mostravam-se agora dispostos a admitir que o campeão inglês provavelmente perderia a competição.Com efeito, diversos jogadores ingleses expressavam a opinião de que Staunton encontraria meios de fugir inteiramente ao encontro, como já fizera no caso de Saint-Amant. Essa previsão mostrou-se correta. Staunton recorreu a uma variedade de expedientes, insinuando mesmo que Morphy não tinha quem lhe fornecesse recursos para a bolsa de cinco mil libras que ele estipulara. Morphy depositou o dinheiro em um banco em Londres e enxadristas amadores ingleses, com sua proverbial lealdade esportiva chocada pelos métodos vergonhosos empregados por Staunton para fugir ao encontro, prontificaram-se a apoiar Morphy com 10.000 libras, se necessário, para levar Staunton a jogar. O campeão inglês disse que suas obrigações literárias não lhe permitiam encontrar tempo para o necessário treinamento e Morphy, desgostoso, partiu para a França. Foi acompanhado por F. M. Edge, um seu admirador inglês que se encontrava presente em Nova Iorque quando conquistara seus primeiros louros e que consentiu em servir como seu secretário durante sua estada em Paris, onde Morphy planejava jogar contra Harrwitz e Anderssen, os dois maiores jogadores do continente. Ia começar então uma aventura inesquecível !


continua...

PAUL MORPHY PARTE I



História Do Xadrez Moderno
Paul Morphy 1ª Parte


por Pedro Alcântara







Para muitos historiadores, a história do xadrez começa alguns séculos antes de Cristo. Como a tarefa de contar tantos séculos me parece um tanto quanto carente de escritos e muito resumida, me proponho a narrar uma história do Xadrez Moderno, que para mim começa com... PAUL MORPHY !!

Gênio é uma palavra muito bombástica; todavia se já houve jogador de xadrez a quem coubesse esse atributo, foi Paul Morphy. Nasceu em 1837 e sua aptidão precoce para o jogo foi bem cedo descoberta por seu pai, um juiz da Corte Suprema de Luisiana, que estava bem preparado para ensinar ao menino e que foi bastante inteligente para não permitir que o jogo interferisse em seus estudos. Até completar dezoito anos, o jovem Paul freqüentou a escola na Carolina do Sul e só jogava xadrez quando visitava Nova Orleãs durante as férias. Numa dessas visitas, fizeram-no enfrentar o conhecido mestre húngaro Joachim Lowenthal, residente em Londres. O menino de doze anos venceu duas partidas e empatou uma, sem perder nenhuma. É possível que o mestre tenha subestimado muito o menino e jogado aquém de sua capacidade, mas prognosticou francamente que seu jovem adversário chegaria a rivalizar-se com os mais fortes amadores vivos. Jamais poderia ter imaginado que nove anos mais tarde reconheceria Morphy como o maior mestre que já existira.


Quando Morphy tinha pouco mais de vinte anos, em 1857, realizou-se em Nova York um torneio de xadrez que assinalou o início das atividades enxadrísticas organizadas nos Estados Unidos e representou um acontecimento decisivo na carreira do jovem.


O Clube de Xadrez de Nova Iorque escrevera aos clubes de todos os outros Estados, sugerindo que cooperassem na realização do Primeiro Congresso Americano de Xadrez.Propôs que enviassem seus melhores jogadores para participarem de um torneio no qual seria decidido o campeonato de xadrez dos Estados Unidos. A reação foi entusiástica e de todas as regiões do país partiram candidatos ao título. Louis Paulsen, de Dubuque, Iowa, a quem os jornais da parte ocidental do país atribuíam tão espantosas performances de olhos vendados que os jogadores da parte oriental se sentiam inclinados a considerar como ficção, chegou bem antes da data marcada para o torneio. Através da seção de xadrez de um jornal, informou à comissão de Nova Iorque que assistira a duas ou tres partidas, disputadas por um jovem de Luisiana, que considerava dignas de serem incluídas entre as mais belas obras primas da história do xadrez. Todavia, ninguém deu as suas declarações maior crédito do que a seus feitos de olhos vendados, até serem confirmadas pelo Juiz Meek, de Alabama, um homem de reputação nacional, que espantou os nova-iorquinos ao dizer que vira Paul Morphy jogar e não tinha em sua mente a menor dúvida de que, se o jovem de Luisiana entrasse no torneio, conquistaria infalivelmente a palma da vitória.


Foi enviado um telegrama convidando Morphy a participar da competição e, como escreveu o Herald Tribune de Nova Iorque, "o destino benevolente trouxe o jovem herói em segurança até Nova Iorque dois dias antes da reunião do Congresso".


O primeiro adversário do rapaz foi James Thompson, um dos mais fortes jogadores de Nova Iorque, conhecido por seus ataques ousados e por sua pertinácia em fazer o "Gambito de Evans" sempre que tinha oportunidade. Morphy liquidou-o rapidamente.


O Juiz Meek, " um espécime de homem realmente imponente", foi o segundo adversário de Morphy. "Quando tomaram seus lugares um diante do outro", diz a notícia, "pensava-se em Davi e Golias. Não que o juiz fanfarronasse de qualquer modo como o alto filisteu, pois a modéstia adorna todas as suas ações; mas havia diferença em conteúdo cúbico entre os dois antagonistas , quanto entre o filho de Jesse e o touro de Gath, e em ambos os casos o pequeno mostrou-se o maior. O juiz Meek sentou-se com evidente convicção do resultado e, embora assegurasse ao seu jovem adversário que o poria no bolso se continuasse a derrotá-lo sem jamais dar-lhe a menor oportunidade, consolava-se com a reflexão de que Paul Morphy trataria todos os outros tal como tratara a ele".


Morphy correspondeu à expectativa em grande estilo. Foi coroado o "Campeão do Novo Mundo", depois de derrotar Paulsen no encontro final por uma contagem de 4 a 1. Até as finais, Paulsen igualara a contagem de Morphy, vencendo todas as partidas menos uma, que ficara empatada. Paulsen mostrou-se cheio de admiração pelo jogo de Morphy e declarou: "Se Anderssen e Staunton aqui estivessem, não teriam probabilidade alguma com Morphy; e ele derrotaria também Philidor e de la Bourdonnais , se estivessem vivos."


Naturalmente, Morphy estava ansioso por medir sua força com a dos mestres europeus e o Clube de Xadrez de Nova Orleãs declarou-se disposto a apoiá-lo com cinco mil dólares (muito dinheiro naquela época)num match com quem quer que se mostrasse disposto a aceitar o desafio. Sua família, depois de uma objeção inicial contra a interrupção de seus estudos de Direito, que uma viagem à Europa causaria, finalmente consentiu. E no verão de 1858 Morphy partiu para a Inglaterra.


continua...



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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Bobby Fischer


Filho de pai alemão, Hans-Gerhardt Fischer, um biofísico e mãe judia-suíça naturalizada norte-americana, Regina Wender, aprendeu a jogar xadrez aos seis anos com sua irmã mais velha, que o entretia com diversos jogos (dentre eles o xadrez) enquanto a mãe ia trabalhar. Mudou-se cedo para a Califórnia e pouco tempo depois para Nova Iorque, onde pôde desenvolver-se em grandes clubes seculares como o Marshall e o Manhattan.


Aos treze anos jogou a "Partida do Século" num torneio de Mestres em 1956 contra Donald Byrne, irmão de Robert Byrne, o qual também era Grande Mestre e foi vítima de uma das maiores partidas de Fischer no US-ch 1963, o qual Fischer venceu com 100% de aproveitamento, 13 em 13 possíveis e rating performance acima de 3000, feito igualado por Emanuel Lasker, na Alemanha.


Fischer venceu também o campeonato estadunidense oito vezes em oito participações (1957, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962, 1973, 1975 e 1986), sendo a primeira aos catorze anos em 1957 e a segunda aos quinze, em 1958. Venceu jogadores tão fortes como Samuel Reshevsky (considerado pelo próprio Fischer como um dos dez melhores de todos os tempos - até então TOP 10), com tão pouca idade. De dezembro de 1962 até o fim da sua carreira, em 1992, Fischer venceu todos os torneios que disputou, exceto dois, nos quais terminou em segundo lugar: Capablanca Memorial, 1965, vencido por Boris Spassky e a Piatigorsky Cup, 1966, vencida por Smyslov. Geralmente Fischer vencia os abertos e grandes torneios que participava com 3 ou 3,5 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado.


A principal façanha da sua carreira foi a classificação para chegar à final do mundial contra Spassky. Fischer venceu Taimanov (enxadrista top 10) por 6x0 num jogo melhor de 10. Fischer venceu Larsen (que era um dos cinco melhores jogadores do mundo) por 6x0 num jogo melhor de 10 e venceu Petrosian por 7,5x2,5 num jogo melhor de 10. Havia uma hegemonia russa desde quando Alekhine derrotou Capablanca em 1921. Após a recusa de Fischer defender o título em 1975, a hegemonia de russos voltou e durou até o indiano Viswanathan Anand vencer o Mundial FIDE de 2000.


Em 1992, Fischer voltou a disputar um encontro contra Boris Spassky.[1] Mesmo Fischer estando 20 anos afastado, enquanto Spassky permaneceu ativo durante todo este tempo, Fischer venceu com relativa facilidade e introduziu diversas novidades teóricas.


Fischer foi preso no Japão e lutou contra sua extradição para os Estados Unidos por quase um ano. A Islândia ofereceu cidadania a Fischer, tendo ele aceitado. Livre então pela cidadania islandesa, Fischer seguiu viagem para a Islândia chegando no dia 23 de março de 2005.


Em eleição feita pelo principal periódico internacional de xadrez, o Sahovski Informator, Fischer foi considerado pelos grandes mestres como o melhor enxadrista do século XX, à frente de Kasparov.


Único a vencer por 6x0 dois matches no Torneio de Candidatos. Tinha memória extraordinária, capaz de memorizar mais de 20 partidas relâmpago consecutivas. Em <http://www.surfonby.com/iqtest/iqfacts.html> consta QI = 187. Outras fontes indicam 184 e 181.


Bobby Fischer morreu em 17 de janeiro de 2008, na Islândia, aos 64 anos.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

COMO PARTICIPAR DO BLOG

 
ola enxadristas:
 
para que voces tenham partidas analisadas no blog com diagramas e tudo mais usem este roteiro:
1- vão até o buscador do google e peçam um software gerador de pgn
2.passem suas partidas para este programa que os lances aparecerão escritos apos feitos no tabuleiro do programa.
3.marquem estes lances com o mouse e copiem os lances clicando com o botão direito do mouse e fazendo copiar no programa de pgn e colar dentro do email que será enviado para alcantxz@gmail.com
Rídiculo de tão fácil....
abraço
Pedro

domingo, 5 de abril de 2009

TRADICIONAL CAMPEONATO PETROPOLITANO


Prezados Amigos,


Venham participar do mais tradicional evento de xadrez em Petrópolis!


O XXXIII Campeonato Petropolitano de Xadrez será realizado nos dias 07, 09, 14, 16 e 21 de abril a partir das 19:30hs.


Sistema suíço em 6 rodadas com tempo de reflexão de 01:30h em final acelerado.


Premiação: Troféu para o campeão, vice e 3º colocado. Medalhas para melhor B, melhor C, melhor feminino e melhor sub 14.


Podem participar quaisquer enxadristas petropolitanos filiados ou não ao CXP.


Local: Clube de Xadrez de Petrópolis - Rua do Imperador, 288 sala 307 - Petrópolis - RJ


Valor das inscrições: Sócios R$ 10,00, não-sócios R$ 15,00 e menores com 50% de desconto.


Obs: Limitado a 29 participantes.


Prestigie o seu Clube de Xadrez (CXP) e traga os amigos!!!

Abraços

Agostinho Arruda

Diretor Técnico

Para concluir, devemos acrescentar que um petropolitano(nascido em Petrópolis RJ) chamado Walter Oswaldo Cruz foi 6 vezes campeão Brasileiro e juntamente com outro consagrado campeão brasileiro N vezes campeão chamado João de Souza Mendes além de frequentarem a histórica alfaitaria do sr.Spielmann na rua do Imperador também foram campeões petropolitanos, foi destas fontes e mais o Interzonal de Xadrez de 1973 que beberam os da geração imediatamente anterior a geração de jogadores atuais o que fez com que o xadrez fosse uma paixão da cidade.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A HISTORIA DO XADREZ


A origem do xadrez é certamente o maior mistério existente no mundo. Infelizmente os historiadores não conseguem chegar a um consenso sobre o lugar de onde se originara o xadrez. O documento mais antigo é provavelmente a pintura mural da câmara mortuária de Mera, em Sakarah (nos arredores de Gizé, no Egito). Ao que parece, essa pintura, representa duas pessoas jogando xadrez e data de aproximadamente 3 000 anos antes da era cristã.


Hoje a teoria mais aceita é que ele se originou na Índia por volta do século VI d.C. Era conhecido como "o jogo do exército" ou "Chaturanga" e podia ser jogado com dois ou mais jogadores. Graças as viagens dos mercadores e dos comerciantes o jogo se espalhou para leste (China) e oeste (Pérsia). Mais adiante os árabes estudaram profundamente o jogo e se deram conta que ele estava bastante relacionado com a matemática, escreveram vários tratados sobre isto e aparentemente foram os primeiros a formalizar e escrever suas regras.


A primeira menção do xadrez está em um poema Persa em qual menciona que a vinda do jogo foi na Índia. O xadrez emigrou para a Pérsia (atual Irã) durante o reinado de Chosroe-I Annshiravan (531-579) e é descrito em um manuscrito persa daquele período. Este texto explica a terminologia, nomes e funções das peças com certo detalhe.


O xadrez também é mencionado na poesia épica de Firdousi (940-1021), Schanamekh - O livro dos reis, no qual ele menciona presentes que são dados por uma caravana do Rajah da Índia na corte do rei Persa Chosroe-I. Entre esses presentes, se encontrava um jogo que simulava uma batalha entre dois exércitos. Registros mostram que havia originalmente quatro tipos de peças usadas no xadrez. O Shatrang (sânscrito Hindú) significa "quatro" e anga significa "lados".


Na dinastia Sassanid (242-651 d.C.) um livro foi escrito no idioma Médio Persa Pahlavi chamado "Chatrang namakwor" (Um manual de xadrez). O shatrang (xadrez) representa o universo de acordo com o antigo misticismo Hindú. Os quatro lados representam os quatro elementos (fogo, ar, terra e água) e as quatro virtudes do homem. Embora os nomes das peças sejam diferentes em vários países hoje, seus movimentos são surpreendentemente parecidos. Na Pérsia, a palavra "Shatrang" se usou para nomear o mesmo xadrez.


Por volta do ano 651 d.C., com a conquista da Pérsia, os árabes adotam este jogo, valorizando-o e difundindo-o por todo o Norte da África, assim como por todos os reinos europeus dominados nos séculos seguintes, em particular para a Espanha (onde recebe, sucessivamente, os nome de: Acedrex, Axedres, Axedrez, Ajedrez), Portugal (Xadrez), a Sicília (Scachi Scacchi), a costa francesa do Mediterrâneo (Eschec, Eschecz, Eschecs, Échecs) e a Catalunha (Escacs, Eschacs, Scacs, Schacs, Eschacos, Schachos).


Os mais antigos manuscritos consagrados inteiramente ao xadrez, denominados Mansubas, aparecem em Bagdá, durante a Idade de Ouro Árabe. Não tendo em sua língua nem o som inicial nem o som final da palavra Chatrang, eles a modificam para Shatranj. Aproximadamente em 840, Al Adli, melhor jogador do seu tempo, publica um manuscrito Livro do xadrez (este original foi perdido).


No início do século IX o califa de Bagdá Haroun-al-Rachid (766-809) oferece a Carlos Magno (768-814) um jogo em mármore, hoje desaparecido. Conservam-se, no entanto, na Biblioteca Nacional de Paris, algumas peças denominadas Charlemagne.


Por volta do século IX o xadrez foi introduzido na Europa por duas vias distintas: segundo uns pela invasão muçulmana da Península Ibérica, e segundo outros, durante o confronto Ocidente-Oriente na Primeira Cruzada. No século XI já era amplamente conhecido no velho mundo.


Uma outra versão bastante aceita para a origem é de que ele tenha se originado na China em 204-203 a.C. por Han Xin, um líder militar, para dar às suas tropas algo para fazer no acampamento de inverno. Um jogo conhecido como "go" que tem um rio, um canhão, um cavalo, uma torre, um rei, um peão e um bispo, sendo que estas quatro últimas peças localizam-se na mesma posição do xadrez ocidental. As peças tem inscrições em caracteres chineses e são colocadas em "pontos". Há duas referências do xadrez na literatura antiga chinesa. A primeira foi de uma coleção de poemas conhecida como "Chu chi". O autor chamava-se Chii Yuan. A segunda é de um famoso livro de filosofia conhecido como "Shuo Yuan" que citava Chu Chi.


Mas existem vários tipos de xadrez: xadrez ocidental, xadrez chinês, xadrez japonês (shogi), xadrez coreano, xadrez burmês, xadrez cambojano, xadrez tailândes, xadrez malaio, xadrez indonésio, xadrez turco e possivelmente até xadrez etíope. Todos tem em comum certos aspectos como: o objetivo é dar xeque-mate ao rei, todos tem o rei no centro, uma torre no canto, um cavalo próximo a ela e peões em frente, e os movimentos dessas peças é idêntico ou quase idêntico ao do xadrez ocidental.


Falar afirmativamente sobre o xadrez ter se originado em tal época e em tal lugar de tal maneria pode ser uma coisa muita mais séria do que se imagina, pois existem muitas pessoas que defendem com todas as forças que a origem do xadrez foi na Índia, enquanto alguns outros afirmam com toda certeza que ele surgiu na China muito antes do que na Índia. Infelizmente não chegamos a um acordo sobre tudo isso, pois a origem do xadrez já foi atribuída até ao rei Arthur, ao rei Salomão, aos sábios mandarins contemporâneos de Confúcio, aos Egípcios e aos Gregos, no cerco à Tróia, para distrair os soldados. O correto é que tenha se originado de onde for o xadrez é um do jogos mais prestigiados do mundo, sendo tratado muitas vezes como arte ou ciência.


As regras e os movimentos das peças sofreram alterações ao longo do tempo, mas ultimamente as regras são as mesmas desde o século XV.


Na Idade Média, o "jogo dos reis" adquire, rapidamente, o status de passatempo favorito da sociedade aristocrática européia, sendo proibida a sua prática entre os pobres. Recomenda-se começar sua aprendizagem aos seis anos de idade. As mulheres nobres não hesitam em sentar-se em frente do tabuleiro, mostrando-se, inclusive, tão hábeis quanto os homens. Estes, só têm o direito de entrar em um aposento feminino com o objetivo explícito de jogar xadrez.


No século XIII as casas do tabuleiro passaram a ser dividas em duas cores para facilitar a visualização dos enxadristas. O duplo avanço do peão em sua primeira jogada surgiu em 1283, em um manuscrito europeu.


Mas uma das principais alterações aconteceu aproximadamente em 1485, na renascença italiana, surgindo o xadrez da "rainha enlouquecida". Até esta época não existia ainda a peça rainha, e em seu lugar havia uma chamada Ferz, que era uma espécie de Ministro. Ele, que só podia deslocar-se uma casa por vez pelas diagonais, transformou-se em Dama (Rainha) ganhando o poder de mover-se para todas as direções.


A transformação de uma peça masculina em Rainha pode ser considerada como um indício da crescente valorização da mulher durante o período medieval, mas também como metáfora de uma sociedade dominada por um casal monárquico. Porém, para o psicanalista Isador Coriat é possível que esta metamorfose tenha sido motivada por uma tendência a identificar-se inconscientemente o xadrez com a estrutura do complexo de Édipo, o Rei simbolizando o pai e a Rainha a mãe.


Por volta de 1561 o padre espanhol Ruy Lopez de Segura, que foi o melhor jogador deste período, propôs a utilização do roque. Esta alteração será aceita na Inglaterra, França e Alemanha somente 70 anos depois. O movimento En Passant já era usado em 1560 por Ruy Lopez, embora não se conheça seu criador.


Em vinte anos as inovações espalham-se e as duas modalidades de xadrez coexistem por toda a Europa. A nova maneira de jogar imprime um maior dinamismo às partidas, devido à grande riqueza combinatória que ela proporciona, e o antigo xadrez é, rapidamente, relegado ao esquecimento.


segunda-feira, 30 de março de 2009

ESTILO INDIVIDUAL: O Jôgo Psicológico


Quando se analisa os elementos individuais da estratégia , consideramos o jogo de xadrez como um processo impessoal envolvendo trinta e duas peças e sessenta e quatro casas.Isto é, sem dúvida, uma representação muito simplificada.Uma partida de xadrez é uma luta entre dois contendores, levada a efeito sob certas condições concretas , mas as pessoas nunca estão isentas de falhas e são, inevitavelmente, em maior ou menor grau, influenciadas por assuntos particulares - tendo ainda, caracteres diferentes.Tudo isto se reflete em sua produção enxadrística.

Cada enxadrista, seja mestre eminente ou jogador da pior categoria, põe em suas partidas certos elementos de seu estilo pessoal de jôgo.Seu estilo não é apenas a soma de seus conhecimentos enxadristicos e opiniões sobre o jogo; é, em ampla extensão, a expressão de seu caráter.Se estudarmos as partidas de um jogador pessoalmente desconhecido nosso, poderemos descobrir muitas coisas sobre seu caráter, por suas partidas, por outro lado, quando conhecemos bem alguma pessoa, somos capazes, como um certo grau de certeza, de indicar que estilo de jôgo escolherá em uma patida de xadrez.Um homem cauteloso e preocupado com a vida não entrará facilmente em uma partida arriscada; alguem de natureza frívola , por sua vez, conduzirá sua partida perigosamente, frequentemente sem uma avaliação apropriada das possibilidades a sua disposição e ao oponente.O otimista tende a superestimar sua posição, ao passo que o pessimista vê perigos e dificuldades em cada momento.O estilo individual de jôgo é um reflexo do caráter do enxadrista.